segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dar conteúdo ao encontro: uma proposta de Carlos Fortuna em Évora.


Carlos Fortuna, é um dos sociólogos portugueses de referência na atualidade. De origem alentejana, licenciou-se em Évora em 1976 e dois anos depois fundou com Boaventura Sousa Santos e outros, o Centro de Estudos Sociais associado à Universidade de Coimbra onde permanece como investigador. 
Foi este Professor  Catedrático que  esteve, ontem à tarde, na Universidade de Évora para a aula inaugural da  Licenciatura de  Sociologia. A sala dos professores dos professores do Colégio do Espirito  Santo encheu-se  para ouvir as respostas da sociologia às crises que vivemos.
Poderia dizer-se que as respostas soaram nas palavras deste  Prof. de Coimbra num modo mais ponderado do que imediato. É precisamente na análise das velocidades dos tempos que vivemos, e dos laços que esses tempos geram, que Carlos Fortuna concentrou a possibilidade de outras respostas para a crise e para as saídas procuradas.
"O futuro demora a chegar... não conseguimos vislumbrá-lo...o discurso da resposta rápida, do imediatismo está a enredar-nos o futuro... que o digam as Universidades, as Câmaras e os outros... o presente está contido, parece que não acaba." Disse o Professor. E fez notar que a esta realidade estamos a responder com números, índices, quantificações. Vivemos o tempo da economia, dos economistas e da tecnologia bem representada pelos telemóveis e pelos nanosegundos, uma unidade de tempo tão pequena, afinal uma abstração que escapa à nossa compreensão, que não existe nos ciclos da natureza,  mas nos é imposta. "É esse o progresso que queremos atingir? Construído em cima do "rapidismo" e da incompreensão que ele gera?" perguntou o sociólogo, para logo afirmar: " A economia não tem respondido". Já a sociologia, que tem de repensar-se, pode contribuir com conceitos como o do encontro e o do diálogo "que não são imediatos" mas podem sugerir abordagens alternativas.  Porque o tempo do imediatismo, dos números, da economia, cria laços fracos. Já o tempo do encontro, dos encontros com conteúdos, das respostas ponderadas e negociadas, é potenciador de laços fortes. 
O sociólogo da cidade insistiu ainda que há "um esforço de dignidade a fazer, de estudo, de maturação dos processos".
No tempo reservado ao debate, o Presidente do Conselho  Pedagógico da Universidade de Évora, Professor de  Gestão, lançou a pergunta:  Como é que uma sociedade que em 1974 se animou com valores democráticos e esperança no futuro pode hoje, 40 anos volvidos, ter chegado à desacreditação do sistema politico e da política ?
Fortuna remeteu as explicações para os níveis de pobreza e de iliteracia, de fechamento da sociedade portuguesa da altura que não permitiram a criação de espaço público sólido, e do debate alargado e plural. Só estas vias teriam sido capazes de evitar que, tendo a sociedade portuguesa apostado tão fortemente no Estado, apenas uma muito pequena parte dessa sociedade tenha beneficiado pessoalmente dele ( Estado).
Outra Professora, oriunda da Filosofia, Teresa Santos, apelando à experiência do especialista em estudos urbanos, questionou como é que no caso concreto de Évora se pode tentar a compreensão da cidade . Carlos Fortuna respondeu que  "Évora é muito dinâmica comparando com outras cidades do país. Beneficia de uma proximidade da capital que outras não" e que por isso tem algumas condições de vantagem. Mas "são precisas ideias". Por um lado, o "Espaço público" e por outro "As Praças", podem ser pontos de partida. A seguir "é preciso conferir conteúdo cultural aquilo sobre o que as pessoas conversam quando se encontram", já que é necessário dar conteúdo ao encontro. "É mesmo preciso investir na qualidade do encontro".  Fortuna especificou que os encontros acontecem em Associações, em Clubes, na Comunicação Social, para além da rua. A ideia do reforço da vida cívica, da civilidade, ficou como sugestão para Évora.
"Os portugueses em geral, (e os Eborenses) estão arredados, saíram de cena," em resposta aos tempos de crise. Como possibilidade, Carlos Fortuna sugere-nos então um convite ao encontro. Com conteúdo. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Habitar a Cidade, Construir Espaço Público: novo debate esta quinta-feira


Mais um debate do ciclo Habitar a Cidade Construir Espaço Público, desta vez sobre “O papel das empresas na construção de Évora, Cidade Educadora” 
Moderação: Professora Maria Manuel Serrano, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora, doutorada em Desenvolvimento de Recursos Humanos.
Participação de:
- Professor Paulo Neto, docente do Departamento de Economia da Universidade de Évora, doutorado em Desenvolvimento Regional e Urbano;
- Eng. José Manuel Noites, proprietário das empresas Somefe, (fundada em Évora em 1947) Noites Reciclagem, Sometambi e Noites Imobiliária,
- Drª Helena Costa, directora dos Recursos Humanos da Embraer, empresa de escala global recentemente instalada em Évora

Quinta-feira, dia 25 de Outubro, no Condestável Café, em Évora, às 17,30 horas

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

As cidades educadoras como expressão da vontade colectiva

Évora, vai acolher, neste mês de Outubro, dia 19, um encontro das cidades educadoras portuguesas.
Da agenda de trabalhos destaca-se o anúncio da cidade onde, no decurso do próximo ano, se realizará o
V Congresso Nacional das Cidades Educadoras. O tema central desse encontro que acontece de dois em dois anos deverá igualmente ser conhecido nesta próxima reunião em Évora.
"As cidades educadoras como expressão da vontade colectiva" é o tema da conferência de abertura deste encontro de Évora, apresentada pelo Prof. Silvério da Rocha e Cunha, docente da Universidade de Évora. Esta componente do encontro, de natureza formativa, é dirigida aos técnicos e responsáveis políticos participantes no encontro mas é também aberto ao público interessado. Pelas 10h de sexta feira, 19, no Palácio D. Manuel.